Desde criança, indo contra todas as ideologias e crenças vigentes, eu sinto, respiro, vejo, um Ser que mora aqui, comigo, nos animais, nas plantas, nas pedras, em todos os seres, que vive a materialidade e a busca da felicidade, as dificuldades e os arranjos temporarios.
Sinto essa energia viva e presente e não distante e ausente, uma energia que circula em minhas veias e se manifesta se eu a manifesto e morre se eu a desrespeito, é não é o deus exigente, raivoso, que aponta o dedo, mas o Ser amoroso, participativo, que divide o pão, o cafezinho ralo, que chora, adoece, dorme e acorda para trabalhar.
Não acredito e não vejo nas palavras difíceis que alguns falam e antigos deixaram escrito, as palavras de alguém que realmente se preocupa com sua criação, e sempre vi os tantos pontos cegos, falhas e absurdos como a perfeição criada mas que nunca é manifestada, ou como a igualdade que não é permitida.
Não, esse é um deus inventado, como tantos outros, é um ser mitológico, maquineista, uma visão manipulada de algo que poderia ser grandioso, esses não chegaram a ele ainda, talvez nunca o tenham visto ou realmente sentido.
E suas palavras são vazias, infundadas, falsas, fúteis, pois não trazem a força da verdadeira transformação, aquela se faz no dia a dia, nas conversas de todos minutos, nos hábitos, na forma de tratar a tudo e não apenas numa igreja, salão, meditação, encontro, grupo, técnica, templo, retiro.
Esse deus ainda é o mesmo bezerro de ouro, o mesmo que foi inventado pela nossa fragilidade, medo, descrença na nossa própria força e capacidade de mudança, trocou-se o nome, o material do qual é feito, mas continua sendo aquele deus morto e não vivo, o deus enigmatico, parcial e não o Ser que acalenta, respeita, ama, aceita e abraça a diversidade da sua própria criação.





